Em memória aos ancestrais não ergo o santo graal com o sangue do cordeiro divino, muito menos um cálice com sangue de cordeiro qualquer... ergo a cuia da macaia com a força da Yurema !

 

  Culto original da Jurema - Árvore da Vida

 

 O culto ancestral da Jurema era realizado por tribos que povoaram o nordeste brasileiro e utilizam a erva em seus ritos para induzir o transe e o encontro dos iniciados com as entidades espirituais em seus planos de existencia. Seus mistérios estão no TUYABAÉ-CUAÁ - a Sabedoria dos Velhos Payés, onde a Yurema representa o poder do eterno feminino, lembrando que seu culto está ligado aos mistérios de Muyraquitan ( deusa das águas ), e suas sacerdotizas profetizavam usando os poderes lunares e as folhas da jurema. ( elas também usavam o famoso talismã circular yonico de mesmo nome - Muyraquitan... ). Aliás para esse fim profético devemos acrescentar que era efetuado também um caa-timbó ( defumação com ervas mágicas ) ao som do mbaraca ( chocalho usado para marcar um ritmo compassado que induzia ao transe ). Só assim então é que se manifestavam os divinos ancestrais ou espíritos de luz ( Rá-Anga )

E como esse culto era destinado apenas as mulheres, aos homens eram destinados os mistérios do eterno masculino no culto do Tembetá ( cruz de pedra em formato de T que também eram os talismãs dos sacerdotes desse culto dórico ). E assim como Yurema se relaciona a Lua, o Tembetá está ligado aos mistérios solares tendo na flor de maracujá ( mborucuya ) seu elemento representativo na natureza. E era na flor de maracujá que esses nossos ancestrais viam até as ferramentas de martírio de seu mito solar Yurupary ( atualmente Jesus representa essa divindade de principio solar ) , e viam como a flor se abria e depois fechava ao raiar do dia e no por do sol....

Então a partir desses mistérios, podemos hoje revelar que o payé, mestre nos segredos das ervas ( caa-yari ), fazendo a união do circulo e da cruz, do tembetá e do muyraquitan, do maracujá e da jurema, é que revelava os mistérios de Tupan.

Mas atualmente muito dessa tradição se perdeu e o que chegou até nós dos mistérios antigos do culto da Yurema, foram segredos do adjunto da jurema, que como o próprio nome diz é a união dos mistérios da Jurema incoporando também o elemento masculino ( espírito ) que junto a jurema  fazem a ignição ou permitem o acesso do homem ao misterioso caminho da alma.

Essa união mística das forças contrarias e complementares se manifestou no Ayuca ou Ajuca ( bebida sagrada composta de Acacia Jurema e cipó (MURUKU-SIPÓ)  usada no adjunto da jurema,  ou Culto Iniciático de Toreh Jerubari... Logo, o dito vinho da jurema ou vinho das almas originalmente na pajelança era um chá basicamente de raiz de jurema preta mais algumas ervas que facilitavam ou  potencializavam o efeito da droga no organismo para abrir os portais da alma aos mortais .

E falando com relação a ciência envolta nos mistérios da jurema, quando citamos droga por favor que confundam com algo negativo pois estamos fazendo referencia ao DMT presente principalmente na jurema preta e que tem efeitos alucinogenos que na dependência da dose são comparados hoje em dia ao LSD.( obviamente que uma dose assim não costuma ser utilizada ritualisticamente pois o intuito é abrir a sensibilidade psicoastral e não se perder em ilusões mentais e por isso essa substancia é tida como enteógeno, mas não pensem os puritanos que ela  é estranho ao nosso organismo porque de fato nossa própria glândula pineal, o portal da consciência, produz também DMT – vide vídeo do link no final desse texto ).  Lembrando que para a jurema ser absorvida pela organismo carece de um elemento inibidor da MAO (mono-aminoxidase ) tal como o “ maracujá”, arruda síria, cipó e certos tabacos ( MAO é uma enzima que impede que o organismo absorva a DMT ).

 Aliás, o alcalóide DMT já foi  muito pesquisado pela ciência e é o mesmo ativo da  ayahuasca que também era utilizada por indigenas para o mesmo fim mistico.  E assim como o uso da ayahuasca praticamente gerou e é o centro de cultos como Barquinha, Uniao Vegetal e o nomeado pelo evocativo " santo dai me...", o uso da erva da jurema incorporado na cultura popular e mesclado com espiritualismo, catolicismo e cabala europeia, gerou o Catimbó, outros segmentos, e o que ficou conhecido hoje simplesmente como culto da Jurema. A propósito houve até uma fusão posterior de prosélitos da Umbanda com praticantes do Santo Daime gerando o que chamam de Umbandaime e assim enriquecendo a colcha de retalhos culturais umbandista .

 Lembramos novamente que o termo catimbó  é traduzido do tupi antigo como caa ( floresta ) e timbó ( transe ou torpor ) justamente por alusão ao uso das ervas mágicas.
E nesse culto a jurema da atualidade, revivendo os antigos mistérios, a jurema é misturada com bebidas como vinho, mel e outras ervas, que são ingeridas pelos mediuns e ajudam a induzir o transe mediúnico onde se manifestam as entidades conhecidas como mestres. Outro ponto relevante nesse culto é o uso dos cachimbos  para defumar as pessoas com fumos misturado a ervas com propriedades positivas e negativas inclusive usando até de cachimbos diferenciados, como feitos de jurema ou angico, para os fins específicos...

Na Jurema ou Catimbó-Jurema o termo mestre tem o significado português de medico ou mesmo feiticeiro como diz Camara Cascudo, e designa não só as entidades ( ancestrais ) como também os iniciados do culto, tal como, a Umbanda esotérica também adota esse termo de mestre para seus iniciados .

E em geral essas entidades mestras espirituais da Jurema trazem ainda muitos traços de sua ultima existência terrena  e  em linhas gerais podemos dizer que são curadores que possuem grande conhecimento das ervas . Apesar que também existem outras linhas cujos trabalhos são especializados nas mais diversas áreas e artes além da cura e há até quem use ainda esse culto e entidades afins com propósitos negativos devido aos desvios de conduta infelizmente próprios das humanas criaturas desse e de outros mundos ...

Enfim, de forma geral, a organização espiritual desse culto também é bem interessante  segundo ensinam os mestres, onde essas entidades habitam aldeias e cada uma dessas aldeias tem 3 Mestres.  E na união de doze aldeias surge um estado com 36 Mestres. Sendo que, nesse Estado ha cidades, serras, florestas... Dizem também muitos que existem 7 desses estados que muito se assemelha ao que se consolidou na Umbanda como 7 linhas.  "E para o Catimbí esses são os estados: Vajucá, Tigre, Cadindé, Urubá, Juremal, Fundo do Mar e Josafá. Ou cinco ensinam outros: Vajucá, Juremal, Tanema, Urubá e Josafá. ( Camara Cascudo )"

 

Agora com relação a Umbanda, é importante lembrar que esses mistérios antigos dos pajés fundidos com a tradição africana dos bantus,  originou novos cultos como o candomblé de caboclos, que unidos a outras tradições presentes no Brasil culminaram na síntese conhecida como Umbanda, o verdadeiro universalismo ,  e  sendo essa  uma religião de transe que no Brasil  sintetiza cultos de origem afro e amerindios, curiosamente o culto em torno da utilização da jurema como erva encantada que abre as portas da alma normalmente foi velado pelo culto devocional da entidade espiritual de mesmo nome que é senhora das ervas e representa a linha de Oxossi, cuja cidade sagrada no plano espiritual se chama Juremá, ainda assim muitas entidades que se apresentam como caboclos fazem uso do vinho com arruda e outras ervas em seus ritos lembrando os antigos mistérios.

 E atualmente mesmo nos ritos iniciáticos dos diversos segmentos oriundos dos cultos da floresta, raras pessoas fazem uso ou foram habilitadas para induzir um transe com segurança com ervas ou outros métodos tal como faziam os velhos pajés e antigos cultos iniciáticos que remontam o antigo Egito, mas longe dos olhos curiosos, a Jurema em pequenas doses é ainda administrada com freqüência como um tônico para a mediunidade nos cultos ameríndios e afro-brasileiros.

 

Complementando, na Wikipédia temos que:

Apesar de bastante conhecida no Nordeste do Brasil ainda não há um consenso sobre qual a classificação exata da planta popularmente conhecida por Jurema. A Jurema (Acacia Jurema mart.) é uma das muitas espécies das quais a Acácia é o gênero. Várias espécies de Acácia nativas do nordeste brasileiro recebem o nome popular de Jurema.

As Acácias sempre foram consideradas plantas sagradas por diferentes povos e culturas de todo o mundo; Os Egípcios e Hebreus veneravam a "Acacia nilotica" (Sant, Shittim, Senneh), os Hindus a "Acacia suma" (Sami), os Árabes a "Acacia arabica" (Al-uzzah), os Incas e outros povos indígenas da América do sul veneravam a "Acacia cebil"(vilca, Huillca, Cebil), os nativos do Orinoco a "Acacia niopo" (Yopo) e os índios do nordeste brasileiro tinham na "Acacia jurema" (Jurema, Jerema, Calumbi) a sua árvore sagrada, a sua Acacia, ao redor da qual desenvolveu-se essa tradição hoje conhecida como "Jurema sagrada".

E com relação a ciência, em 1946 Oswaldo Gonçalves Lima, utilizando raízes frescas de jurema preta - Mimosa hostilis Benth, isolou um alcalóide com o qual deu o nome de nigerina.
Em 1959, Patcher, Zacharias e Ribeiro isolaram das cascas da Mimosa hostilis um alcalóide com as mesmas características da nigerina, cuja estrutura determinaram como sendo um derivado indólico: a N, N-dimetiltriptamina (D.M.T.)” (Sangirardi Jr., 1983:204).
Sendo que esse é um link interessante sobre as pesquisas e experiencias cientificas com o DMT : http://www.youtube.com/watch?v=fx8LsA2sA94

 

Vejam também outras experimentações que fizemos com ervas de poder e a TERAPIA DA LUZ DIVINA:

 

OS MISTÉRIOS DA AYAHUASCA

 

OS MISTÉRIOS DO CACHIMBO SAGRADO

 

Jurema e a magia de Tupã

 

A tradição do culto aos ancestrais

Umbanda - A unidade na diversidade

 

A Terapia da LUZ DIVINA

 

AS DROGAS, Sociedade e Religião

 

XINGU VIVO - ACORDEM GUERREIROS

 

Epifania no Caminho da Jurema

 

 

 Abraços fratrernos,

 

Eduardo Parra

http://eduardoparra.maat-order.org/